Do Segundas Intenções

Por Cylene Dworzak Dalbon

Em 31 de março de 1964 os militares deram um golpe e derrubaram o presidente eleito João Goulart (Jango), para assumirem o poder e instaurarem um regime ditatorial no Brasil, que perduraria por 21 anos. Este episódio é histórico e todo mundo conhece, mesmo que superficialmente. O que a maioria da população não sabe é que quem financiou este golpe militar brasileiro foram o Departamento de Estado dos Estados Unidos e a CIA.

Este fato fez com que a família do ex-presidente Jango movesse uma ação indenizatória contra o governo americano para que fosse reconhecido o financiamento dado aos militares brasileiros para a deposição do presidente eleito. A matéria sobre este fato não circulou na grande imprensa (por que será??) mas foi publicada em um jornal chamado “Brasil de Fato” (veja a reportagem).

Processo importantíssimo principalmente por dois fatores: resgatar nossa história e os fatos da maneira como realmente aconteceram e também para derrubar de vez a máscara americana de coitadinhos. E não pára por aí. Pelo que consta, agentes militares americanos, davam cursos no Brasil para os militares e braços da repressão do governo ditatorial. Estes cursos ensinavam quais as melhores maneiras de torturar um preso sem matá-lo, onde e como bater para que não se deixassem marcas, mas surtisse efeito. Barbáries estas aplicadas pelos órgãos de repressão durante a Ditadura Militar.

“Ah! Mas isso é passado, pra que remexer essa história de novo??” Esta é uma pergunta comum e muito freqüente feita por algumas pessoas quando existe alguma manifestação de alguma entidade ou parente de pessoas prejudicadas por este período da nossa história. O problema e justamente este. Nosso passado é o que faz nossa história. Um povo que ignora seu passado, não tem direito a ter futuro ou pior ainda: muitas vezes não tem presente.

Faço minhas as palavras de Cristóvão Feil, autor desta matéria no jornal Brasil de Fato: “Para além da reparação moral e material, essa ação é portadora de um conteúdo simbólico de grande politização, por isso deve ser acompanhada atentamente por todos nós, para que os seus objetivos sejam alcançados com êxito, e desse esperado êxito seja recomposta a verdade histórica e memorial das lutas populares no Brasil.”